sexta-feira, 18 de julho de 2008

Capacho Alentejano

Para hoje, algo diferente. E não confundir com gaspacho porque não tem nada a haver. A combinação dos ingredientes é, no mínimo estranha, mas confesso que o resultado é surpreendente. Já há uns bons anos, quando fui apresentada oficialmente aos pais do meu namorado na altura, actual marido, fui pela primeira vez almoçar à casa dos meus sogros. Não me considero esquisita no comer, mas quando me puseram um capacho no prato ao almoço, acabadinha de conhecer os meus sogros, o meu receio foi de não ser capaz de comer o que estava já à minha frente, no prato. Era um dia de calor terrível, nada estranho em pleno Alentejo, mas já não podia dizer o mesmo relativamente ao que estava ali no prato a olhar para mim. Nem sabia em que talher pegar, se na colher, ou na faca e garfo. Educadamente esperei que os outros começassem primeiro e repetindo os gestos peguei na colher. Experimentei. Fresquinho!!! Experimentei outra vez. É bom!!! Comi. Soube-me 'que nem ginjas'!!! Será que há suficiente para eu poder repetir? Havia!!!
No fim, correu tudo bem e saí de lá com a receita.
Ora vejam a mistura e antes de comentarem, digo-vos que devem primeiro experimentar!!!
Para duas pessoas, iremos precisar de:
  • meio chouriço de carne (alentejano de preferência)
  • 1 tomate
  • 1/2 pepino
  • 1 cebola
  • 1 maçã
  • 2 pêssegos
  • 2 nectarinas (ou pêssegos 'carecas')
  • 10 ameixas (quaisquer desde que bem maduras)
  • 1 limão (sumo de) ou então vinagre
  • sal grosso, azeite
  • pão alentejano (ou qualquer outro bem consistente)

Parte-se o chouriço às rodelas, o tomate aos cubos, o pepino em quartos de rodelas, a cebola às semi-rodelas não muito finas. A maçã, os pêssegos, nectarinas e ameixas aos bocados não muito pequenos. Junta-se tudo assim mesmo numa terrina, tempera-se com o sumo do limão, um fio de azeite e algum, mas pouco, sal grosso. No fim, rega-se tudo com água bem fria do frigorífico até cobrir tudo, e pode-se até, em dias mais quentes, adicionar alguns cubos de gelo. Restam as sopas de pão que se juntam no final, tentando que estas fiquem bem cobertas pelo líquido.

Come-se logo de seguida com a água ainda bem fresca. E repete-se. E volta-se a repetir. Pois com o calor, é a única comida que conheço que apetece sempre!

Aventurem-se e experimentem este próximo fim-de-semana algo diferente. Acreditem: vale bem a pena!!!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Empadão de Massa Folhada

Para hoje, uma sugestão bem simples, que pode ter diversas utilizações. Empadão de massa folhada. Na realidade, a foto é já antiga, mas como me encontro ligeiramente incapacitada, de pé torcido (já medicada e com muito gelo!!!), resta-me o portátil com os seus ficheiros não muito actualizados no que diz respeito a fotos. Mesmo assim, não deixa de ser uma excelente sugestão. Tentei dar um 'ar de sua graça' fazendo os cortes na massa, o que nem por isso resultou muito bem, mas de qualquer das formas o paladar é sempre divinal.

Na verdade, parece mais complicado de fazer, do que na realidade o é. O recheio é de carne picada (ou este seria de coelho?).

O recheio de carne picada faz-se de antemão, inclusivé dá para ser feito em grandes quantidades, congelar em doses individuais, e na hora é só descongelar no micro-ondas, ou melhor ainda, deixar a descongelar de um dia para o outro.

Para o picado iremos de precisar:

  • carne de vaca de estufar (ou frango, ou perú, ou porco, ou coelho...)
  • tomate bem maduro
  • um ramo de salsa
  • cebolas
  • alhos
  • um pouco de chouriço de carne (opcional)
  • sal, azeite, louro

O interessante nisto, é que como é para fazer tudo em picado, não se preocupem muito em cortar as coisas aos bocadinhos pequenos. Apenas a carne terá de ser limpa de peles e ossos e cortada em tamanho suficiente que permita o uso de picadora. Tudo o resto vai inteiro mesmo. Ao tomate retira-se apenas a pele; as cebolas, depois de descascadas, partem-se apenas em dois. Tudo para a panela assim mesmo, de uma só vez, rega-se com azeite e tempera-se com sal. Deixa-se estufar tudo muito bem em lume brando e se necessário acrescentar apenas um pouco de água, mas muito pouca mesmo!!! Depois é só picar tudo na picadora (não esquecer de retirar as folhas de louro), aproveitar o molho, mas não em demasia (o picado é para ficar húmido, não a escorrer molho), e utilizá-lo assim mesmo, ou pôr a congelar em doses individuais dentro de saquinhos. Recomendo, no caso de carnes de frango, perú e coelho, em vez de se picar tudo, as carnes ficam melhor se forem esfiadas. Este picado dá para depois se fazer esparguete à bolonhesa, lasanha, pequenos folhados de carne, almôndegas, croquetes, hamburgueres, etc.

Para o empadão, basta uma dose de picado e duas placas de massa folhada, tudo descongelado. E é só montar! Numa travessa de ir à mesa, estende-se uma das placas de massa folhada com a ajuda de um rolo e um pouco de farinha. Espalha-se bem a dose de picado sobre esta massa e cobre-se tudo com a outra placa de massa folhada já bem estendida. Pincela-se com ovo batido e vai ao forno por cerca de 15 minutos.

Como sugestão final, experimente-se trocar a massa folhada por arroz seco, esparguete ou puré de batata. Fica excelente à mesma!

Bom apetite!

sábado, 12 de julho de 2008

Tapete de Sala (em Arraiolos)

Confesso que fiquei um pouco viciada quando há poucos anos atrás comecei a fazer Arraiolos. Não tem nada de especial, qualquer um consegue fazer, é apenas preciso paciência. Muito parecido com o Ponto Cruz, só que o Ponto de Arraiolos é apenas ligeiramente diferente e é feito com lãs sendo a tela maior. O único problema é que é demorado e confesso que com o calor simplesmente não dá muita vontade de trabalhar com lãs. Mas adoro os trabalhos feitos!!!
Desta vez aventurei-me a valer! Estou a fazer um tapete para a minha sala-de-estar com 3,5 x 4,5 metros. Doida? Talvez! É trabalho para uns dois a três anos, uma vez que apenas faço um pouco de Arraiolos à noite depois da cozinha arrumada, e nem todos os dias tenho disponibilidade. Um dia há-de ficar pronto!!!
Demorei imenso tempo a escolher um desenho que me agradasse (e ao meu marido também, claro). Por mais que não seja, depois do trabalho feito, vou ter de olhar para o tapete todos os dias por muitos e bons anos! Decidi-me por um desenho simples para ser menos cansativo, geométrico pois posso assim pude escolher o tamanho que queria, e em tons de castanho, pois é nesses tons que tenho a decoração da minha sala. Fiz uma almofada para ver se as cores iriam ou não conjugar bem umas com as outras e servir assim de modelo. Ei-la aqui já pronta: Gostei imenso deste desenho! É chamado de Monserrate. Quanto ao tapete em si..., bem..., ainda está assim:

Daqui a uns meses volto a tirar uma foto para se verem os progressos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Bolo de Bolacha

Apesar de eu ser imensamente gulosa, fui casar com alguém, que fora alguns, poucos, doces seleccionados, não gosta simplesmente de coisas doces. O mesmo se passa com o meu pai que foge do açúcar a sete pés. Mas fico deveras pasmada quando o doce favorito de ambos é o mesmo!! Coincidência? Há quem diga que coincidências não existem... Fico a pensar que é um excelente doce para pessoas gulosas e para as não gulosas também. Já fiz este há uns tempos. Infelizmente não tenho fotos de fatias pois não consegui que sobrasse para isso!!!Iremos de precisar de:
  • bolacha Maria (1 ou 2 pacotes)
  • 250 gr. manteiga tipo Vaqueiro
  • 200 gr. de açúcar em pó
  • café bem forte e adoçado
  • raspas de chocolate para decorar

Faço sempre primeiro o café que enquanto quente derrete bem o açúcar. Deve de ficar bem docinho. A manteiga deve de estar à temperatura ambiente para se poder bater bem com a batedeira junto com o açúcar em pó. Não costumo deitá-lo todo de uma vez pois fico sempre com receio de ser açúcar a mais, mas é a quantidade que acabo sempre por utilizar. Ao creme, e para ajudar a bater melhor, adiciono sempre algumas colheres de sopa do café adocicado. Corta um pouco ao sabor enjoativo da manteiga também. Adiciono o café (apenas algumas colheres) aos poucos e4 vou batendo sempre pois se este estiver bem quente acaba por derreter a manteiga e não é o que se pretende. Depois é só montar o bolo.

Num prato que depois vai à mesa, barra-se o fundo com um pouco de creme, dispõem-se uma bolacha no centro e seis à volta, bem juntinhas, já bem embebidas do café adocicado, e volta-se a pôr mais uma camada de creme, mais uma de bolachas, até acharmos que apenas temos creme para barrar tudo e alisar (como o da foto). As bolachas gosto delas bem molinhas do café, mas quanto mais moles, mais trabalho a espalhar o creme direito e lisinho. Paciência: vale a pena!

Para decorar faço sempre uns riscos com um garfo e costumo pôr umas amêndoas a compor, mas como não as tinha foi mesmo com chocolate que ralei na hora.

Depois de feito vai para o frigorífico e sabe ainda melhor quando bem fresquinho.

É um excelente doce de sobremesa..., e não só! Fica excelente a acompanhar... um café, pois claro está!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Prendas

No outro dia disse que fiz umas compritas pela Feira de S. João. Pois aqui estão elas:Quer-me parecer que foram feitas com pasta de modelar Fimo. As pernas e uns braços são de cordel branco e ambas têm um fio comprido para se poder andar com elas ao peito. Achei-lhes graça nem sei bem porquê. Se calhar devido aos 'totós' no cabelo. São bem giras, não acham? Qualquer dia tenho de experimentar fazer algo em pasta de modelar Fimo. Talvez um presépio, quem sabe?!
E eu até sei de duas meninas que ficarão bem contentes quando as receberem de presente não tarda muito (a mais velha fez há pouco 4 aninhos). É para as minhas sobrinhas 'postiças' andarem todas vaidosas este Verão. Espero que gostem!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Queijinho Derretido

Quando se está com pressa e de repente chegam convidados para o almoço ou jantar, não se tem nada para se pôr na mesa de entrada, não há tempo para ir comprar, que fazer? Um queijinho derretido, naturalmente...! Ora vejam lá esta maravilha!

Com os convidados já sentados à mesa, basta pôr um queijinho, que pode ser de cabra, de ovelha, de mistura, do que se quiser desde que seja para o mole, num pratinho que possa ir ao micro-ondas, polvilhar com oregãos secos, e/ou um bocadinho de alho picado, 1 minuto na potência média e já está. Quem não tiver micro-ondas pode fazê-lo no forno mesmo, embora leve mais alguns minutinhos.

E já agora, porque fazê-lo só para as visitas? Qualquer dia é bom para um queijinho derretido. Nem é necessário haver uma razão especial. Põe-se o prato assim mesmo na mesa e cada qual que ataque o dito cujo da maneira que preferir: simples, com pão, com broa ou com tostas.

Vai um bocadinho só para experimentar?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Gelados

O calor não pára de aumentar. A ventoinha, juntamente com o ar condicionado portátil são neste momento os meus melhores amigos. Evaporo um pouco mais de dia para dia e bebo cada vez mais água. Este ano deve de ser novamente um dos mais quentes das últimas décadas. Enfim...
Com todo este calor só apetecem gelados. Mas gelados engordam! Decidi começar a fazê-los eu mesma e cortar um pouco nas calorias. Primeiro investi numa boa máquina de gelados (bastou um Verão para conseguir ter rentabilidade). Com os gelados que já fiz, a máquina está mais do que paga!!! Ei-la aqui:
Depois procurei receitas pouco calóricas. Aí o caso já foi mais difícil! Muitas natas, muito açúcar, ingredientes mais ou menos estranhos e/ou caros demais. Encontrei uma que passou a ser a base de todos os gelados que faço: bem simples e pouco calórica (para gelados, claro!). É a seguinte:
  • 1 pacote de natas
  • 3 iogurtes naturais (faço-os eu numa iogurteira)
  • 3 claras em castelo
  • 3 colheres de sobremesa de açúcar em pó
  • 1 chávena almoçadeira de polpa de fruta

A polpa de fruta faço-a eu também, moendo fruta que tenha em casa com a varinha mágica. Junta-se tudo e deita-se a mistura na máquina de gelados. Esta mistura dá para cerca de 1,5 L de gelado, que guardo logo em doses individuais (e bem generosas, diga-se de passagem). Deixo-vos agora alguns exemplos dessas doses individuais:

-Gelado de kiwi:
-Gelado de morango e amoras silvestres:
-Gelado de damascos:

Estes só são alguns exemplos. Dá para fazer com quase todo o tipo de frutas, mas normalmente prefiro as que os meus sogros me dão lá da quinta. O paladar é totalmente diferente. Nestes gelados sente-se realmente o sabor da fruta. Aqui atrasado comi um dos de compra na casa de uma amiga. Apenas provei, pois estava a enjoar de tanto açúcar. E eu que sou gulosa...!!!!

domingo, 29 de junho de 2008

Feira de S.João - II

Chegámos à Feira, 16 horas, muito calor, quase tudo fechado. Não se via praticamente ninguém, apenas meia dúzia de malucos iguais a nós...Só apetecia mesmo beber algo fresco e dirigimo-nos rapidamente para a zona das 'tasquinhas', que apesar de algumas ainda estarem a montar as mesas, conseguimos encontrar uma já aberta. Eis a única foto que resta desse momento, pois depois das bebidas e dos petiscos, havia lá quem se lembrasse de tirar fotos...A noite chegou entre mais um copo de sangria, um chouriço assado na brasa, um prato de caracóis... As esplanadas foram enchendo, as ruas também. Ligaram-se as luzes: E depois de uma volta a pé, de visitar os pavilhões, de comer umas farturas e uns churros (ai a minha dieta...!), encontra-se meio mundo, mais dois dedos de conversa, e as horas vão passando.
Chegámos a casa inteiros, mas cansados. Dormimos que nem anjos, certos de que no próximo dia estaremos lá novamente...!

sábado, 28 de junho de 2008

Feira de São João

Para quem é de Évora, já nem acha estranho. Se se perguntar a alguém quem é o santo padroeiro da cidade, muitos responderão que é S. João, uma vez que as festas cá da terra, se chamam de Feira de S. João. Há no entanto também umas pequenas festas ao fundo da Rua de Aviz, cujos moradores continuam a festejar o Santo António (sardinha assada, manjericos...). Mas na realidade, o santo padroeiro da cidade de Évora é, sempre foi e continua a ser o São Pedro. A cidade é não comemora o santo da terra, mas os santos alheios...
Reza a história (pelo menos foi uma pessoa da cidade já avançada de idade que me contou), que as gentes da cidade não eram, na sua maioria, muito ricas, e para poderem comemorar e fazer uma festa ao santo da cidade, tinham primeiro que arranjar dinheiro. Parece um bom plano, mesmo nos dias de hoje...! Se o pensaram, melhor o fizeram. Passaram a comemorar o S. João para as gentes de fora, que acorriam assim à cidade, divertiam-se e..., deixavam o dinheiro. Sendo S. Pedro mais tarde do que o S. João e do que o S. António, e havendo finalmente dinheiro suficiente na cidade, então, apenas para a população local, comemorava-se o S. Pedro. Com o tempo, as festas de comemoração de S. João foram crescendo, mas as de S. Pedro foram desaparecendo.
Não conheço nenhuma outra cidade que comemore os Santos alheios desta forma e se esqueça do seu padroeiro...
Mas adiante...! A Feira de S. João está neste momento ainda a decorrer sendo o seu encerramento amanhã. Como não poderia deixar de ser, fui lá algumas e várias vezes, comprei umas coisitas giras, mas isso fica para outro dia...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Biscoitos de...

Esta receita é bem simples e costuma fazê-la de tempos a tempos. São uns biscoitos, ou torcidinhos, muito fáceis de fazer, saem sempre bem, e o melhor, dentro de um recipiente hermético, duram semanas..., ou durariam, se entretanto não desaparecessem...! A receita base é apenas uma, mas pode-se adicionar o sabor que se queira: côco, canela, pepitas de chocolate, laranja, limão..., ou apenas simples mesmo. Costumo fazê-los quase sempre de limão, pois são excelentes para acompanhar um café a meio da manhã, ou mesmo um chá à tarde. A receita sempre a conheci. A minha mãe sempre fez estes biscoitos e lembro-me de a minha avó também os fazer e de guardá-los numa lata, invariavelmente assaltada pelos netos, mas também pelas filhas que depois punham as culpas nas pobres das criancinhas... Vejam lá se não ficam com um excelente aspecto! Até apetece logo mordiscar um agora mesmo! Ficam bem crocantes, como eu gosto.
Aqui fica a receita base, neste caso com limão:
  • 150 gr açúcar
  • 150 gr manteiga de culinária
  • 500 gr farinha com fermento
  • 3 gemas
  • 2 claras
  • raspa de limão

À mão juntam-se todos ingredientes para fazer a massa, deixando a farinha para último. Esta adiciona-se aos poucos e vai-se verificando assim a dureza da massa. Esta estará pronta quando não se agarrar às mãos e se conseguir moldar. Fazem-se uns rolinhos compridos com as mãos, dobram-se ao meio e depois enrolam-se nas pontas até obter a forma pretendida. Põem-se num tabuleiro de ir ao forno com o cuidado de não os juntar muito pois vão duplicar de tamanho! Deixar cozer e quando os primeiros começarem a ganhar uma côr mais dourada nas pontas, estão prontos. Após arrefecerem endurecem e podem ser guardados.

Já agora, o paninho foi a minha mãe que o fez! Bainhas abertas e bordado inclusivé. Bem bonito não acham?